
De quem são estes olhos que não me vejo?
Todos os dias procuro um pequeno sinal de mim nos meus olhos e tudo que vejo é estático, é drama, é comum... Onde está o encanto? Aquele que não precisa ser pensado para ser aceso.
Aquele encanto que combina com choro com o rosto, com a alegria, com a pele, com a luz e sombras, com o belo...
Ela já foi real... E hoje o que é?
Uma artista falida! Antes mesmo de começar a sua maior arte, está falida de si!
Mas não se preocupem, é temporário, está em busca de uma revira-volta!
Eu não sei que pequeno detalhe que falta, mas ele é essencial;
Será amor? Será alguma marca forte? Quem Sabe?!
Eu só sei que todos os dias naquele espelho fotografam-se minutos de atuação para ver se reencontra aquele velho olhar.
Talvez o que falte seja a luz de uma artista que aprendeu a atuar belamente, sem esperar para ser assistida. Apenas... contente por si mesma, por sua atuação, por seus gestos... E se esquece dos outros olhos, deixa de buscá-los, fecha-se para eles, abre-se para si, torna-se autêntica.
Ela era assim quando seus olhos encantavam... Agora é... como todos aqueles que nem se dão conta de seus passos, gestos, e se dão ao mundo, se regojizam de reconhecimento, por qualquer coisa que brilhe, querem ser assistidas, mas não se assistem!
As pessoas se perdem e não se dão conta. Elas atuam e não sabem, são artistas sem identidade.
E aqueles verdadeiros Artistas são os que vivem de verdade, nós... somos apenas sugadores de suas luzes... de suas inspirações, incapazes de subestimar nossas próprias capacidades, de nos provocar o desafio... Encantados pela inspiração e êxtase alheio, porem falhos em nossos próprios momentos inspiratórios. Quanta contradição! Aplaudir, ficar na platéia. Quando também temos um papel, um roteiro... Em que nada se escreve, nada se faz arte, estamos ocos, rotineiros, cíclicos, água parada...
E quando bebermos de novas fontes, deveremos reconhecer que só nos transmutamos assim... Ela veio da Única Fonte. Nós deveríamos o fazer... se tornar cachoeiras na alma, fluídos...
Este devería ser o nosso dever.
Deveríamos viver de arte, e a vida teria o sentido que lhe é mais autêntico.
Quem entender estas palavras certamente já ensaia, e tenta a prosa de ser deus de si... e tenta a sua marca no mundo, atuando como aquele que se descobre, que se desdobra...
Por isso todo dia foge... fuja! Mas seja algo novo... Semente que se renova... mas faça história, crie encanto... E a vida se torna real... Não basta se inspirar de outras fontes... é preciso criar a marca para se reconhecer, para se inspirar de si mesma, exalar essência sem vaidade, apenas transbordando sua luz própria. E assim os olhos dela voltarão a ser o Olhar, e não apenas um pedaço forçado em um rosto oco.
- Larissa Fernandes-
2 comentários:
Adorei o texto, é muito inspirador, La. Bem a sua cara, sempre iluminada e iluminando.
Essa coisa de adaptação e atuação para sobreviver é meio assustadora... as vezes tenho medo de surtar e esquecer o que é ser eu... O.o
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