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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Este momento...


Faz parte da nossa tradição compensar a perda de um habitat mais sereno tirando férias ou dias de folga, o que supostamente representaria dar prazer ao próprio self, só que freqüentemente as férias são qualquer coisa menos isso. Podemos compensar nossa dissonância rotineira reduzindo as atividades que nos fazem retesar nossos deltóides e trapézios, transformando-os em nós dolorosos. E tudo isso é muito bom, mas para a psique-self-alma, as férias não equivalem ao santuário. "Tempo de folga" ou "de licença" não equivale a voltar para casa. A tranqüilidade não é o mesmo que a solidão. Para começar, podemos conter essa perda de alma mantendo-nos próximas à pele. Constato, por exemplo, nas mulheres talentosas da minha experiência clínica que o roubo da pele da alma pode decorrer de relacionamentos com pessoas que não estão elas mesmas dentro das suas peles de direito, e de relacionamentos que são decididamente venenosos. São necessárias força e determinação para superar tais relacionamentos, mas é algo que pode ser feito, especialmente se, como ocorre na história, a pessoa der ouvidos à voz que chama de casa e voltar ao âmago do self onde o conhecimento imediato é pleno e acessível. A partir daí, a mulher pode decidir com clarividência o que é que ela precisa ter e o que é que ela quer fazer.

- Clarissa Pinkola-

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