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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Aos fins e aos recomeços



Sei lá... Nós temos tantas perguntas... Mas se sente falta de pulsar. Talvez por isto estamos sempre atrás de algo... Porque gostamos de sentir o gosto na boca diferente, novos sentires, uma brisa no coração, na barriga, que ilumine o nosso ser. Como quando estamos apaixonados e sentimos o desejo de sermos sempre amantes da vida. Toda vez que eu penso em algo maravilhoso para se resumir em VIDA, eu estou de braços abertos em cima de um cume bem alto, olhando para o céu e para a terra, bem no centro, no meio, onde os dois se separam e se unem. Eu sempre sinto falta de novas riquezas de sensações, vivas, e me alimento da esperança de sempre ver mais e mais, de sentir mais e mais. As vezes tenho medo de sentir tal plenitude... dizem que agente só se sente assim no fim da vida. Ou então será porque eu estou sempre morrendo, e renascendo. E reconheco os meus fins e começos no fim do dia? A luz sempre apaga os vestígios de dor, mas a beleza está sempre presente até no que se faz ausente.
Agora entendo porque todo poeta, filósofo e apaixonado é um pouco louco. Porque sentir a vida transbordar na alma e ainda tentar expressar isto é uma das maiores loucuras de ser humano. Mais agente tenta assim mesmo, para nos inspirar a pensar e deixar um pouco, muito pouco de nós nas tintas, e na memória que monta a vida ordenadamente, para que ela sempre lembre que o mais, ainda é mais...inexpressável. E que cada momento expresso tem algo a ensinar em algum outro momento do tempo, quando a lógica perder o contato com a consciência de sua natureza.
(Larissa Fernandes)

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